IMIGRAÇÃO

Travessia ilegal para os Estados Unidos

Conheça os riscos de quem atravessa a fronteira entre EUA e México

Todo ano, milhares de imigrantes deixam suas casas em seu país natal em busca de uma nova oportunidade de vida nos Estados Unidos. No entanto, a forma como essas pessoas tem tentado entrar no país é o que mais preocupa. Muitos atravessam de forma ilegal a fronteira do México com os Estados Unidos. A grande maioria vem da América Central e do próprio México. Entram nessa jornada, sem ao menos saber os desafios que vão encontrar pelo caminho.

Fronteira do México

A fronteira internacional entre os dois países vizinhos tem cerca de 3.145km de extensão. Ela atravessa diversos terrenos, que variam de grandes áreas urbanas a desertos completamente vazios. Ao longo do perímetro existem vinte e três cidades americanas divididas entre os estados da Califórnia, Arizona, Novo México e Texas. Além de trinta e nove mexicanas, dos estados de Baja Califórnia, Sonora, Chihuahua, Coahuila, Nuevo León e Tamaulipas.

A fronteira é conhecida como a mais cruzada do mundo e cerca de 350 milhões de travessias são documentadas anualmente. Só no ano de 2018, 283 imigrantes de várias nacionalidades perderam suas vidas, entre acidentes no Rio Grande e no deserto localizado na parte oeste da divisa. Segundo o grupo Anjos da Fronteira, desde 1994, 10 mil pessoas morreram sem conseguir completar o trajeto.

Nos últimos cinco anos, somente três casos de desaparecimento e dois falecimentos de brasileiros durante a travessia por terra foram confirmados. Houve, também, o desaparecimento de 19 pessoas que tentavam atravessar pelo mar, em 2016. Mas, segundo o Itamaraty, o número oficial de brasileiros desaparecidos ou que morreram durante o trajeto não representa a verdadeira realidade.

Para o Governo, é possível que inúmeros incidentes tenham acontecido e não tenham sido informados ao Itamaraty, já que esses registros são feitos através de informações enviadas de forma voluntária de familiares e amigos dos brasileiros ou pelas autoridades estrangeiras.

Rio Grande

Muitas pesquisas realizadas recentemente apontaram que o Rio Grande, que nasce no Colorado (EUA) e vai até o Golfo do México, se tornou o percurso mais procurado entre os imigrantes ilegais, ultrapassando o deserto. Entre os mexicanos, o rio é chamado de Rio Bravo, é o quinto mais longo da América do Norte e o 20º mais longo do mundo, com 3.000km de extensão, dos quais, 2.000km atravessam a fronteira entre os países vizinhos.

De acordo com o Serviço de Alfândegas e Proteção das Fronteiras dos Estados Unidos, de janeiro até julho de 2019, a área do Rio Grande registrou quase 250 mil detenções, o maior volume de imigrantes na fronteira sul dos Estados Unidos. O crescimento foi de 124% comparado com o mesmo período de 2018. Dados como esse, transformaram o rio no símbolo da crise migratória que os EUA têm enfrentado nos últimos anos.

Dados divulgados pelo jornal americano The New York Times mostraram que o número de salvamentos nas águas do Rio Grande, realizados pela Patrulha de Fronteira, tiveram um aumento. De outubro de 2018 a julho de 2019, cerca de 315 imigrantes foram resgatados, contra apenas 12 resgates no mesmo período de 2017.

Mesmo com esse aumento dos resgates, o índice de mortes e desaparecimentos ainda é preocupante. Os imigrantes atravessam o rio em pequenos barcos improvisados, com a antiga ilusão de que a travessia é simples, como era há décadas atrás. Muitas pessoas ainda arriscam nessa jornada também, após serem convencidas por “Coiotes” ou outros imigrantes, de que a travessia pelo rio seja a forma mais rápida e descomplicada para chegar ao “sonho americano”.

Riscos da travessia

A travessia pelo rio muitas vezes dura cerca de 15 a 30 minutos, mas pode ser aterrorizante! Já que, embora as águas sejam rasas em algumas áreas, em outras há caídas que acontecem de repente e chegam a mais de 2,5 metros. Suas margens são cheias de boias e destroços que os imigrantes usam. A jornada geralmente acontece a noite e no escuro, perdendo a noção da direção e deslocamento, sendo mais facilmente levados pelas correntezas do rio, ou sendo encontrados pelas patrulhas noturnas.

Durante o verão o nível do rio acaba subindo, além de ter também as descargas da represa utilizada para a irrigação agrícola na região de Eagle Pass, que fornece eletricidade para o município. Outro perigo que tem surgido cada vez mais nas águas do Rio Grande são os enormes e temidos jacarés, mais uma preocupação que deve ser levada em consideração.

Os coiotes

Coiotes, assim são chamados os responsáveis pela travessia dos imigrantes. Eles têm um grande poder durante a jornada, já que são eles quem determinam quando e onde as pessoas se movem, dormem, além de cobrar e receber a dívida.  Apesar das “garantias” feitas pelos coiotes, quem atravessa a fronteira corre outros riscos além dos já citados no texto. Há muitos casos em que as discordâncias dos coiotes resultam no sequestro, estupro e escravidão e até a morte dos imigrantes, feitos pelos cartéis.

Todo o trajeto tem etapas que são muito bem planejadas, que vão desde cárceres privados durante vários dias, até o transporte em caçambas de caminhões, inclusive com intermediários infiltrados nos EUA e no México. Todo o processo é bastante discreto já que a travessia ilegal realizada pelos coiotes se enquadra na lei de tráfico de pessoas (pena prevista de até 40 anos nos EUA).

Os contrabandistas cobram de US$4.500 a US$6.000, há ainda valores mais altos, podendo chegar a US$20.000 dependendo do caso. Quem não paga essa dívida, pode virar refém dos coiotes e ter suas famílias extorquidas ou em muitos casos até serem mortos.

Tolerância Zero

Desde que o presidente norte-americano, Donald Trump, assumiu a presidência dos EUA, uma política de menor tolerância à imigração vem sendo trabalhada pelo governo do país. Nos últimos anos, diversas medidas restritivas foram criadas, tanto contra imigrantes irregulares como contra refugiados.

Uma das medidas que causou mais polêmica foi a separação de crianças estrangeiras de seus pais, além da detenção em centros específicos. Há relatos de que dentro dos abrigos nos Estados Unidos, as crianças não têm condições básicas de higiene, nem acesso a comida e água, além do trauma de ficarem separados de seus pais.

A fiscalização da fronteira também vem se tornando cada vez mais intensa, após um acordo feito entre Trump e Obrador, presidente do México, que reforçou a fronteira com a Guatemala, para impedir o acesso de imigrantes que chegam as cidades mexicanas através do país vizinho, para depois partir rumo aos Estados Unidos.

O México ainda é o país que mais tem imigrantes nos EUA, cerca de 26%, e desse número, cerca de 45% está de forma ilegal no país. O que mais preocupa o presidente Donald Trump, gerando diversos argumentos para as deportações. Toda essa política anti-imigração conseguiu agradar uma boa parte da população norte-americana, já que cerca de 23% consideram a imigração um dos principais problemas do país.

Esse número foi o mais alto já alcançado sobre esse assunto, desde 1993. E mesmo com todas as represálias e dificuldades, os imigrantes deixaram seus dólares em US$405 bilhões em impostos no ano de 2017. Cerca de 20% do total dos empreendedores do país estão entre os mais de 3,2 milhões de imigrantes que possuem seus próprios negócios e empresas nos Estados Unidos.

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